17 de abril de 2016

Eu ando desconfiado da integridade moral de todos aqueles que estão levando suas vidinhas normalmente sem um nó na garganta sequer. Seja lá qual for o motivo do nó ter sido plantado sufocando sua glote, espera-se que ali esteja ele, com presença mais ou menos imponente, incômodo nas vinte e quatro horas do dia, como devem ser as angústias. O ar está denso, parado, pesado e quente. Outono se recusa a dar as caras por aqui. Energia estagnada. Nó crescente na garganta de todos aqueles que sentem. O futuro distópico é hoje. Foi domingo. Como num quadro de macabro em releitura de Dalí. A memória tenta persistir e brota timidamente dentre brutalidades, tem gosto de coágulos de sangue e covardia. Mas persiste. Renasce como que vivida no coração e na mente dos poucos que ainda ousam sentir. Amar, transar, existir, ser e todos os outros verbos que deveriam exprimir somente prazer agora soam afrontosos. Pois que afrontem hoje, amanhã e cada dia mais! Não silenciem as dores, tampouco as alegrias, porque vai ser através de um grito catártico e cheio de gozo que esse nó sufocante preso na garganta será vomitado na cara dos malditos!

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