Mariposa

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É em fim de noite de domingo que a solidão, antes encasulada, cria asas e preenche os cômodos da casa silenciosa. Eu finjo não ter medo quando a solidão vem com suas asas por trás de mim e me causa arrepio com seu sopro frio arrepiando a minha nuca. Ela me sussurra barbaridades existenciais e sinto medo. Calafrios. A solidão é pura nóia. Inventa. Te assombra. Te rodeia. E se você abre guarda, a solidão te come. Por trás, com força e a seco. Na tentativa de escapar, a gente cria atalhos tolos e frívolos. Aumenta o som da TV, coloca uma música inútil pra tocar, vagueia por páginas e mais páginas e quando menos espera, seu corpo está te traindo ao resgatar uma memória dolorida. Ou então você está lá procurando por alguma foto de quem você não mais deveria se importar. Neste ponto a solidão já enfiou a cabecinha. Tudo é risco. Você tenta escapar do pensamento, das memórias afetivas e de tudo mais que ficou pelo caminho, mas é tarde demais. Daí, sem saída, o jeito é relaxar. Deixa entrar e fazer rebuliço. Deixa cansar, desgastar, desidratar. Na segunda-feira o relógio não perdoa, despertador toca cedo, solidão não tem espaço em meio a correria, perde as asas e morre antes do meio-dia.

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