Poliglota

tumblr_lupv091tTG1qbqwc2o1_1280 Nos primeiros minutos da manhã ela era ainda mais minha. Corria suavemente a mão direita pelo meu corpo, contornava com os dedos da mão esquerda os traços do meu rosto e me suplicava sorrindo que eu perdesse as horas do meu dia. Antes que eu pudesse reagir, lá estava ela se dedicando à minha carne, acordando cada centímetro da minha pele e me sussurrando arrepios. Eu imóvel e entregue, de carne trêmula e veias saltadas. Ela bagunçada e insana ao alvorecer do dia. Dizia que é da natureza uma trepada para começar o dia, que só isso justificava ereções matinais. E ria. E me provocava. E me satisfazia. Jogava longe o meu despertador e me implorava por mais cinco minutos. E quem é louco de negar? Era sempre sim. E eu mais profano, cada dia mais próximo do inferno, pressentia. Perdi meu tempo de rezar, estava em tentação, fechava os olhos buscando paz, meditação, e enxergava bucetas rodopiantes e suculentas como num prisma psicodélico vindo em minha direção. Eu suava. Era delírio! Ela achava bonito me ver sem a máscara de homem sério. Achava divertido me imaginar descomposto inventando desculpas novas para o meu atraso no trabalho. Ela era grande demais para ser posse. De mim não deve ter nada nela, dela tem tanto em mim. E ela nunca foi minha. Dela eu nunca quis saudade. De mim ela só queria: desvios.

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2 comentários sobre “Poliglota

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