O Desinvento

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Desculpa-me por ser relapso. Sei que deveria ter te escrito antes, mas só agora o cotidiano corrido me permitiu. Tenho muito a agradecer-te e por isso volto a me reportar a ti. Obrigado por ter ignorado tantas vezes as minhas tentativas de companhia. Obrigado por ter feito da minha paixão juvenil uma piada para contar aos amigos. Obrigado por cada esperança inconclusiva que me destes, por cada vez que me atiçastes sem me tocar. Obrigado por me usar e por me seduzir com truques tão vulgares, mantendo-me em sua órbita sustentando seus vícios e seu ego. Agradeço-te porque assim eu cresci e sei que também crescestes — eu espero. Agradeço-te porque hoje vejo que me livrastes do teu afeto sujo. Sem recalque, sem nenhum rancor e nem deboche, obrigado por não macular a minha carne com as tuas digitais.

E quando precisares estarei aqui, podes crer. Vou te sorrir, te pagar uma cerveja e ouvir suas dores. Vou acalantar tuas lamúrias como nenhum outro pode fazer porque sou eu quem conhece os bolores que a tua maquiagem esconde. E quando bem, podes ir, sem obrigado nem adeus, já me vale o meu bem.

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4 comentários sobre “O Desinvento

  1. Marcelo Rezende disse:

    Lindimais!
    Um bocado de sensualidade e cinema nesse texto (com essa foto acompanhando, então, tá de suspirar).
    Acho massa essa tua capacidade de sempre deturpar aquilo que pode – e é – lindo. Sensa!

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