Serenar

pés na grama

Aprendi muito sobre liberdade e solidão. Cultivei naquela mulher as minhas manias mais secretas, mas sempre foi preciso soltá-la, forjar despretensão e desprendimento. Por quantas vezes o meu corpo enrijeceu de saudade e eu nada tinha, senão o acaso como aliado a cruzar os nossos caminhos. Falsos acasos, muitas vezes, criados pela real necessidade de aproximá-la cada vez mais do meu cotidiano, da minha casa e dos meus lençóis. Paradoxalmente, quanto mais intensos se tornaram os seus delírios de entrega envolvida nos meus braços, maior liberdade a envolvia. Nunca entendi aquele lindo sorriso incerto, mas acatei. Vulgarizei meu sentimentalismo em nome da perenidade do nosso lance, em nome da nossa entrega secreta, porque quando juntos temos frescor, somos quase pueris, somos ébrios amantes molhando nossas roupas na grama fria de sereno. Logo eu, outrora tão hermético, agora filho da Lua, mar aberto, coisa assim…

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4 comentários sobre “Serenar

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