Mãe das Cabeças

Fui ao sítio sagrado de Inaê cruzar meu corpo com suas águas de espuma. Fui para pedir licença, agradecer os rumos, bater cabeça, pedir claridades. Princesa de Aiocá impunha-se em ondas altas e cantava com Iansã num vento melódico e doce, seduzindo pescadores, e ameaçando os descrentes. Senti meu peito estremecer e deu vontade de pedir para Inaê me abraçar, me envolver na renda de sua saia e levar-me longe da areia, além das sete ondas da sua seara. Amor de yabá é cheio de posse e disso eu quase me esqueci, quando me dei conta, minhas vibrações já se emaranhavam na saia rodada de Iemanjá. A cabeça zuniu, a Natureza assediara minha densidade e tive medo e tive vontade de render meu ori para dona Janaína passar. Senti meu corpo se desprender nas águas agitadas do seu jacutá. Sublimei. Eternidade imersa sem medo ou desespero, somente agraciado por Dandalunda me abalando com os braços pesados de mãe protetora, sorridente e severa na suas feições tênues. Suave, Iemanjá me aconchegou e levou embora o que já não me servia, acalmou meu peito ainda assustado, firmou meus pés na areia e me plantou imensa saudade do seu mar.

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2 comentários sobre “Mãe das Cabeças

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