Onda

ImagemPlanejei peito aberto e olhos em festa, mas quando voltaste tive pé atrás e medo. Ainda que eu queira — e juro que quero — receber e acolher, contar da saudade e da novela, dos domingos e do futebol no bar, os meus pés teimam no recuo e minhas mãos vacilam para te tocar. A distância semeou a estranheza e eu mal reconheço o teu perfume, perdi a conta das tuas minhas pintas que dedicadamente contabilizei sob o sol matutino daquele inverno. Ainda que minha memória coloque rédeas na minha entrega, a ternura das lembranças nos resguarda de qualquer dureza e eu fico achando bonito esse nosso carinho perene. Mesmo que parta outra vez, sem aviso novamente, tenho a certeza que esse respeito de admiração sempre vai emoldurar o teu retrato, morena. Mas deixemos pormenores de lado, chega sem prosa e sem verso, suspende do meu corpo essa cisma, me acerta as horas, saliva-me: vamos amanhecer ao meio-dia.

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