Remendo

Confesso que me assustava um tanto ao notar a naturalidade com a qual lidava com os meus defeitos. Não que fosse ruim, mas era tão distante de tudo que eu já conhecera e eu estava arisco demais para acreditar sem receio em teus gestos macios. Tanta clareza ao falar das minhas falhas me intimidava e eu pensava em fugir, mas você tão carente dos meus braços me prendia e absorvia. Pensava em fugir. Quanto mais me prendia, mais me deslumbravam as rotas distantes das necessidades devoradoras que te habitavam. Era para ser leve, não a angústia de precisar corresponder aos teus desejos sempre calados esperando pela minha adivinhação; não a falta de fluidez das nossas línguas, mas sim a entrega sem planos e sem contrato. E foi ficando tudo tão errado e desigual entre nós, faltou o ímpeto e sobraram faltas, admiração e reticências.

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3 comentários sobre “Remendo

  1. Acho que as vezes as vivências passadas nos pesam tanto que nos brecam, e cada passo parece necessitar de uma justificativa para ser dado. Nada mais é só por instinto ou sensação. Domamos cada ação ou reação além do habitual. Só que sentir não é assim e uma relação não se constroe cheia de medos e receios, mas com entrega e desejo. E eu sinto uma falta danada de não ter tanta malicia, de sentir sem covardia.

    Belo texto. Um Beijo.

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