Apnéia

Afastei todos os móveis e os medos para você chegar mais perto e fiz questão de não me lembrar dos conselhos, das histórias e das legendas no álbum de fotografia para te receber sem juízo. Segui todo o manual da vida limpa que prescreve permissividade e páginas em branco para te abrir espaço nos meus sorrisos e na minha casa. Traí os meus instintos aguçados para percorrer seus corredores estreitados por indefinições e birras. Eu que tanto gosto de clarezas insisti. Saber lidar com suas inúmeras arestas me fez chegar até aqui sem saber ao certo os caminhos que me trouxeram, agora ensaio saídas, reestruturo os meus espaços, mudo de rota e resgato os meus instintos. Entendo o desconforto, querer ver pelo avesso é defeito meu, mas não precisa do receio. Resguardo as suas verdades, respeito os seus tons.

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4 comentários sobre “Apnéia

  1. Sempre tento expressar nos comentários a sensação que seus textos despertam em mim, mas sinto que sempre falho com a veracidade. Esse texto me lembrou um trecho de Romaria: “Como eu não sei rezar só queria mostrar, meu olhar, meu olhar, meu olhar”. E as vezes é assim mesmo, não sabemos dizer, não sabemos pedir e tão pouco falar do que sentimos, mas as vezes um olhar basta, um abraço cala as incertezas. Atitudes sempre traduzem melhor o sentir do que as palavras. O texto é lindo e envolvente, Darlan. Beijo!

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