Alfabeto

Eu era tão cru que ainda não tinha aprendido fugir, mal percebi quando ela me viciou pelo brilho dos seus olhos e a falsa timidez no sorriso. Os caninos pontiagudos mais lindos e afiados que já vi eram ligeiros ao marcar minha pele só por brincadeira, somente pelo constrangimento social no dia seguinte. Página em branco que era, eu aceitei qualquer rabisco como desenho e qualquer rascunho como poesia, cada metáfora banal era um desvendar alucinante daquele peito cheio de caminhos transversais, um feitiço instigante que me absorvia. Eu era iletrado, tolo, sem deus, sem história e feliz. Dedicado e sem pudor, manso e feliz. Sem reservas nem receios, feliz, aprendi a ser homem sobre um corpo de menina.

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2 comentários sobre “Alfabeto

  1. Marcelo Rezende disse:

    Uou!
    What a surprise!

    Achei Lolita e achei foda.
    Meio que um chá que a menina deu, né?
    E eu gosto disso, quando ha entrega nesse nível. Quando a gente perde a visão ou paradoxalmente, enxerga tudo, cheirando.

    Beijo, Darlan!

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