Aprendizagem*

Tive de aprender a lidar com teus medos sem cometer a heresia de julgá-los menores que os meus. Cada um sabe de seus incômodos, não há imparcialidade nos seres dotados de amor próprio quando o julgamento nos envolve. Mas eu, quase um Dom Quixote a lutar contra moinhos de vento, assumi e enfrentei os teus medos e os teus modos, os meus medos e as minhas buscas, a minha plenitude e a tua satisfação. E ali vivíamos, eu por ti e tu por qualquer um que te admirasse por mais de dez minutos, cercado dos olhos holofotes de amigos rasos. Rasos que eram, quando a sombra do passado te rodeava e eu era o único que pacientemente estava por ti, amansando teus medos com complacência e toda a lucidez que te faltava. Tantas vezes preteri meu ego para cuidar dos seus medos infantis, desproporcionais aos que pesavam nas minhas costas e endureciam meu semblante. Por tantas noites velei o teu sono e somente encontrei alívio ao imaginar uma pessoa quase completamente diferente de ti ou pelo menos alguém que erguesse o rosto e mergulhasse nos meus olhos sem medo do que poderia encontrar. Tive tanta fé na tua rendição e na tua cura que esqueci de me querer bem, esqueci de me lembrar que rugosidades assim são prenúncios de mal maior. Desculpa os maus costumes que te plantei, desculpa os mimos, eu errei. Renuncio ao cativo.
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Texto feito em parceria com a Ágda, menina talentosa e de bom gosto que escreve lá no Papel de Sêmica.

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4 comentários sobre “Aprendizagem*

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