Café na calcinha

É o que me fez achar o seu sorriso de dentes tortos o mais bonito de todos. O que me fez insistir no afeto unilateral, na doçura que eu nem tinha, mas inventei só para você. Logo eu que sabia de todas suas artimanhas e tinha o gabarito dos seus jogos. Logo eu que tantas vezes te vi atuar e até ri contigo da platéia em abobado encanto. Não lembro bem quando foi que escolhi para mim essa cegueira que me permaneceu a esperança da sua entrega, mas foi tão natural que só agora me dou conta desse alçapão abandonado, outrora de estimação. Essa vontade de te tentar que ainda me atenta é pela renúncia das promessas e pela privação do gosto. É o que não me deixa esquecer. É o que não me deixa aprender a lidar com o que nem tive.

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7 comentários sobre “Café na calcinha

  1. Sexta-feira estava bebendo com dois amigos e eis que surge essa prosa de café na calcinha haha
    A magia mais básica de se prender um homem (e uma mulher, um beijo para as migs sapas!).
    Agora entendo perfeitamente quando falam: “me dá um pouco do teu mel”. Haha

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