Arestas

Quantos anos levam duas vidas para se cruzarem e enfim convergirem outra vez, cartas à mesa, punhal em punho, tão cego, tão inútil, guardado com vergonha, desculpas tardias, eu nunca quis te ferir, taquicardia inesperada, amor abortado, lágrima à borda, quantas palavras tão bem escolhidas nas frases tão bem lapidadas pra dizer que errei, erramos, somos isso e estamos aqui de passado exumado, presente desconcertante, futuro a Deus pertence e ficou algo para trás que eu queria, eu quis tanto, eu quero e não cabe mais pedir, embora já não me importe o plausível se estamos nós aqui, tão crus, acertando o que o Tempo fez pouco caso e não quis resolver, deixou assim de lado pra ver até onde íamos de pé manco, quantas vidas correriam em nossas estradas e quantos os rumos distintos até que desarmados enfim encorajássemos da verdade que não houve nenhum capaz de apagar nosso mapa, indeléveis que somos reciprocamente, cabe sermos como quão grande fomos e tão forte marcamos? Não sei, mas hoje eu emagreci de pretéritos quases.

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3 comentários sobre “Arestas

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