Integralidade

A verdade mesmo é que eu tenho um puta medo de deixar que façam as coisas por mim, daí que eu sempre fujo em escolhas erradas e apostas vazias. Eu sei que preciso acreditar mais no altruísmo dos outros, na capacidade de surpreender positivamente, na boa intenção e no amparo alheio. Mas me amedronta a dívida, eu tenho pavor da obrigação subentendida de precisar responder às expectativas, porque essas sempre limitam e eu gosto tanto da liberdade em mim. Meus sentimentos são selvagens, indomáveis, não manipulo, as palavras às vezes soam rudes, mas é o que sou. Preteri o personagem a favor da autenticidade, imperfeita por natureza. Espinhos tão evidentes confundem e afastam, eu crio muros, outrem redomas, são muitos os dedos, mas eu não cobri meus acessos com ovos, evitam colidir e porra, é o que mais quero! Nascem distâncias.

Minhas distâncias não são planejadas e nem mantidas com orgulho, são apenas reflexos dos tantos murros em ponta de faca, castelo de farsas, fetos mal formados, abortos espontâneos. Mas eu não quero ser vítima de nada, tampouco fazer do meu cansaço motivo de renúncia. Eu quero a vida de qualquer jeito, não importa se hoje a danada resolveu ficar por cima, quero-a ainda assim! Já não me importo se o que me move é fé, insistência, probabilidade ou teimosia, qualquer coisa já é maior que o nada. Contudo, a questão é que eu não sou de qualqueres coisas, meu querer é simples, mas caprichoso. Quando a coisa fica hardcore demais eu me refugio num vazio que hoje em dia já sei muito bem forjar, então let it be, deixa correnteza levar.

Nas manhãs eu sempre regresso, porque minha calma é minha paz, e esta é complexa, construí no limo, vale bem mais. Não abandono. Estou feliz comigo, estou bem com a vida. Também não abandono meu medo, não o culpo. Medo é mapa, é termômetro e limite, é o acúmulo das minhas outras vidas, minha memória mais preciosa. Estou juntando tudo isso e abraçando apertado, o sorriso largo porque felizmente eu sou inteiro!

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3 comentários sobre “Integralidade

  1. E esse texto nasceu da nossa conversa, então não sei se tenho muito o que comentar. Somos parecidos demais, até nos medos.
    Mas é como você me disse, não dá pra ficar dando murro em ponta de faca e às vezes é bom dar oportunidade pra algo ou alguém.

  2. Amanda disse:

    Talvez, no momento, não exista alguém que te desperte taquicardias, ao ponto que releve os pormenores, renuncie esse medo e queira tanto o doce quanto o “hardcore” e veneno, porque assim também é integralidade, escolha e liberdade.
    Um beijo!

  3. Marcelo Rezende disse:

    Eu gostei de tudo e principalmente do tapa que foi em mim. Eu sou inteiro, pelo menos acho que sou, mas o meu problema, e nem sei se é um problema de fato, é que eu não me contento com a minha calma. Até me contento, mas eu amo um reviravolta, sabe? Eu sou muito tímido, extremamente, mas não gosto e por isso me faço extravagante, um invólucro que não tem dado muito certo, mas é felicidade, de qualquer forma. Já fui muito triste, por mim e por quem me punha pra baixo, hoje eu quero é sorrir, não? Mas com isso o ciclo se renova e, bom, nada vai muito bem, mas vai, o que já é diferente de nada, certo?

    Beijo em você Darlan (e desculpe o desabafo).

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