Desfantasia

Primeiro foi pelo sorriso: era grande demais para não ser meu, de um tamanho que eu precisava tocar com o meu sorriso, porque meus olhos não me bastavam em consumi-lo. Depois foi pelo cheiro, que eu precisava de alguma forma também cravar em minha pele. E não me bastava saber qual o era o perfume ou a fragrância, era necessário o seu suor com seu cheiro com seu perfume, tudo isso em mim, no meu suor, com meu cheiro, com meu perfume. E eu queria mais, queria a companhia e as declarações, confissões íntimas, sussurros secretos, universo particular, telefone de bom dia e puta que pariu eu estava numa onda toda errada! Respira fundo e clama a calma. Ter era esplêndido e era, antes de tudo, efêmero. Tive que aprender a lidar com essa posse tão passageira, de ter sem possuir, dançando com o vento, incerto como jogo de azar. Fui aparando os meus ciúmes, consertando minhas ânsias, me apegando mais a mim para não me apegar ao que não tenho. Que se enquanto marinheiro eu tenho, marinheiro estou!

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7 comentários sobre “Desfantasia

  1. Adorei a imagem. Combina perfeitamente com o que estou escutando, que no caso é a banda Pedra Branca. Uma mistura perfeita.
    Dando-me uma leveza n’alma que nem sei descrever.
    Talvez por entender e sentir o que escreves, só isso.
    Coisa linda de se ler, ouvir, sentir…

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