Sem fantasia

Velei teu sono calmo decorando as feições do teu rosto. Meus dedos faziam estradas por entre seus cabelos e se perdiam em emaranhados de fios, prendendo toda minha atenção naquela paz imensurável: eu era teu porto-repouso. Havia tão mais que a loucura e o impulso, agora eram vontades, desejo, sede, calor e entrega. Numa despretensão maior que nós, descobrimos atração e encaixe, sabor e sentido, prisão e liberdade.

A luz da manhã começava a vencer o azul intenso da noite, ainda que desejássemos um tanto mais de horas e horas. Na manhã, um banho preguiçoso pra remover tua saliva da pele e guardá-la em mim. As marcas da carne se vão sozinhas daqui uns dias — eu acho —. Para sempre em mim, está o cheiro, escondido em armadilhas da memória para provocar taquicardias inesperadas. Efêmeros sem culpa, existimos somente pelo prazer, sem o amor limitando o desejo. Era perdição e salvação. Éramos exatamente o que deveríamos ser.

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5 comentários sobre “Sem fantasia

  1. Pequena poetiza disse:

    o toque é algo que registra-se na memória tb.
    mas o cheiro tem o mistério de nos retornar sempre
    de reaviver mais uma vez e fazer as lembraças retornarem tão vivas, tão presentes… do tipo como se tivesse acontecido nessa manhã. Coisas loucas.
    tipo sonhos com cheiros. são os mais difícieis de se ter, mas tb nos parecem os mais reais. aqueles que quase duvidamos que foi apenas sonho.

    beijos

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