Despretensão

Se ali estávamos e éramos dois por um golpe do acaso, que ali ficássemos a ver a noite se esvaziar de sobriedade, de moralidade e aparências diurnas. Rimos tanto e conversamos muito, diversos supérfluos assuntos enquanto nos encarávamos em olhares faiscantes. Queria-te sem a necessidade de te pedir com claras palavras. As tantas vezes que você mexia em seu cabelo sempre reajustando a posição exata da franja, fazia-me pensar o mesmo. Tudo entre nós fluía e, àquela altura da noite, todos já nos olhavam com a certeza da foda enquanto a sós. Nossos corpos se encostavam muitas vezes, vezes demais, reflexos do instinto. Meu braço foi surpreendido pelo meu próprio olhar um par de vezes entrelaçando sua cintura e friccionando minha pele na sua pele. Meus olhos indecorosos miravam teu colo enquanto eu me esforçava para encontrar o caminho de volta ao rosto. Desejava-te mulher.

Agora meu corpo sustenta em vermelho-roxo tuas marcas.

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3 comentários sobre “Despretensão

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