Estações

Abri todas as minhas portas e janelas para que alumiasse melhor tua vinda nessa casa que há tanto te espera. Cuidei que o pó não se acumulasse nos móveis, uma planta em cada canto para que melhor respirasses, água fresca na moringa pra matar tua sede e um sorriso na soleira para te esperar. O sol lá do alto cedeu lugar a essa lua tão imensa, que se despediu e deu lugar ao sol novamente, repetidas vezes. A árvore na calçada da casa modesta perdeu todas suas folhas e balançava com o vento frio que invadia os cômodos. Aquele sorriso na soleira aos poucos foi endurecendo e um amargor desgostoso alastrava-se pelo peito. Na rua, na calçada com a árvore, naquele horizonte inteiro ninguém apontava, não existia nenhuma chegada. Tudo ali era só partida, sonho desiludido e melancolia. Eu era feito de esperas. Tudo em mim era só saudade e solidão.

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4 comentários sobre “Estações

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