Cachorra ou não

Aprecio a noite porque é ela
Quem me ameniza a solidão
Esvazio um copo atrás do outro
Para que o meu vazio
Encontre alguma vazão

Afogo mágoas na vodca gelada
Clareio meus pensamentos nas tantas luzes
Refletidas em espelhos
Piscando pulsadas

Observo pessoas
Transitam de um lado ao outro
Em gestos e trejeitos soltos e fugazes
Ensandecidos por ultraje
Corpos dançam e seduzem
A distância nenhuma ou pouca

Meus olhos
Miram lábios sorrindo
se insinuando
se mordendo
me beijando

Música alta impossibilita o diálogo
Mas propicia a empolgação
Minhas mãos encontram curvas
Minha língua diversão
Músculos contraídos
O nervo enrijecido

Tão intenso quanto efêmero
Todo toque é por atração
A carne quer sempre mais
Mesmo que a mente diga não

Meu sorriso alvorece convidativo
Outra música vibra a energia
Tomo mais um copo
mais um corpo
Mato a sede de outra língua

Afasto de mim
Qualquer culpa
repreensão
Qualquer tormento
Foi a solidão quem me provou
Que lei da noite é movimento

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9 comentários sobre “Cachorra ou não

  1. Nossa, é cada surpresa por aqui.
    Com certeza vou apresentar seu poemas a uns amigos. E, com certeza, este poema virará o hino deles uahuahauhauhuah
    Com toda sinceridade, parabens pelos versos.

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