Nuances avulsas

Talvez eu nunca tenha tido realmente uma auto-estima inabalável e de fato alta, mas se tem algo que eu sempre soube sobre mim mesmo e nunca desacreditei, é na minha capacidade de enxergar. Adquiri a capacidade de ver os detalhes sem muitas delongas, de também interpretar o que há por trás de palavras, de atitudes, de gestos. Para mim, as entrelinhas sempre foram muito explícitas. Essa capacidade de enxergar me ajuda a caminhar, a dosar o tamanho dos passos, conseqüentemente, me adaptar. Essa é uma segunda qualidade minha. Sei me adaptar bem, faço isso com certa facilidade e rapidez: me adapto para não me machucar e para amenizar conflitos. Não sou de estardalhaços, pedem desculpas e eu digo “tudo bem”. Embora eu nunca esqueça, está tudo bem sempre. Eu sei mudar, mas às vezes tenho curiosidade sobre como seria não saber. Ou então sobre não precisar. Ficaria então somente com a mudança que vem de dentro, por impulso próprio, na vontade corrosiva de sair da inércia. E sair da inércia é querer outra coisa, algo novo, algo maior.

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9 comentários sobre “Nuances avulsas

  1. É, Darlan.

    Acho difícil encontrar, depois de um tempo, limites para a nossa flexibilidade. Digo isso porque até mesmo a nos adaptarmos, nos acostumamos. Romper com isso não me soa fácil. Mas, também não impossível.

    Ps.: Sobre seu texto anterior … Não conseguiria me desprender das complexidades. O mais difícil, ou segundo o Rodrigo, aquilo que mais sangra, é aquilo do que mais se tira proveito. Quem dera se todo mundo pudesse descobrir cedo que são os detalhes que tecem algo maior! Gosto de vir ler por aqui, viu?!

  2. Felippe disse:

    Ah, isso é tão você, foi muito sincero. Notei um lamento junto dessas palavras, mas também uma necessidade de explicar coisas quem nem sempre são explicáveis. Não mude, apenas de continuidade ao que desejas sentir e ser ;D

  3. Pequena Poetiza disse:

    estar sempre tudo bem
    se tem uma coisa que hoje me incomida mais do que qualquer outro momento é essa minha sina por me manter sempre no entre… no meio. Mediando alçoes e atos que me levam a dizer sempre tudo bem
    sem tomar partido, me rasgar e romper e mostrar o corte.
    e esse meu querer sair da inércia… é de uma inércia… que fico assim na espera ás vezes e querer.

    sempre me encontrando nas tuas palavras

    beijos

  4. Marcelo disse:

    O jogo mais excitante de qualquer relação, vivência, é inferir o que se diz. Nada que é claro demais tem graça, sabor de quero mais. Com as entrelinhas, conseguir ver o horizonte, enxergar além, já é jogada de mestre, rs!

    Tu escreve de um jeito gostoso. Gosto!

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