Ori

Acordei com aquela sensação estranha de quem não encontra a realidade quando abre olhos. O mundo todo girava enquanto cenas desconexas perturbavam minha cabeça. Levantei-mum pouco tonto e lavei o rosto para tirar aquela sensação de abafamento que me sufocava, apertei os olhos para ver melhor no espelho os defeitos do meu rosto. Uma  espinha vai nascer perto da boca, uma manchinha perto do olho esquerdo, uma marca de expressão ali, outra aqui… talvez eu devesse começar a me preocupar com a idade, mas não tinha tempo para mais uma perturbação agora. Saí ainda cambaleando do banheiro, porém agora mais ciente do meu estado semi-onírico, como uma prisão de sonhos que não te deixam acordar totalmente. Eu me rendi, esparramei-me pela cama novamente, fechei os olhos e me entreguei àquele caótico mundo surreal dos meus sonhos, de tantas e tantas perturbações. De repente eu andava pela rua, estranhamente eu estava de branco e vi meu pai Xangô numa esquina qualquer dançando e fazendo ruídos em meio a vozes que o saudavam. Eu ali parado olhando pr’aquela imagem mística, cravado com os pés no chão como por algum encanto eu não conseguia me aproximar mais pra ver a dança de Xangô. Eu inacreditavelmente vestindo branco, e o Xangô forte de semblante fechado e punhos cerrados era eu dando vida à energia mais intensa nunca antes sentida. Eu via a mim mesmo numa figura imponente e respeitável, ainda que descalço e vestes simples eu era um rei sendo reverenciado: Kaô cabecilê!

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