Lado B

No céu límpido a Lua magnífica e amarela paira sobre o horizonte, tão imensa quanto essa saudade, tão distante quanto nossas vidas. Perdão. A falta dele: minha falha. Admito o erro alheio, reconheço o direito de cada um ao erro, mas perdoar verdadeiramente é algo que ainda não aprendi. Poderia dizer desculpas da boca pra fora, esboçar um sorriso nos lábios e dar um abraço mecânico, mas assim não seria eu. Por isso evito toda mágoa, corro do rancor, tenho medo desse câncer. Vezenquando parto cedo, quando ainda há sorrisos e as juras são intensas. Outras vezes fico mais, me arrisco a deixar fluir naturalmente. Pequenas coisas se acumulam, pesam em mim, explodem em palavras duras. Agora mágoa recíproca. A distância que cresce e incomoda, como se fosse alguma grande heresia deixar estar. Não tem volta, já é irreversível. Intimidade é uma conquista demorada que pode se perder num piscar de olhos. Uma vida se perde da outra. O universo em constante movimento, tempo que cuida das coisas, faz com que algumas caiam em esquecimento a maior parte do tempo. A distância nem é mais coisa dolorida. Exceções são essas noites de Lua cheia absurdamente nítida e imponente no céu azulado. Tão sozinha. O brilho ilumina o chão da casa vazia num silêncio sufocante. A memória cutuca cicatrizes só para nos lembrar que ainda existem resquícios. O passado como um filme bem aqui na minha frente. Enfim, costumam chamar isso de experiência.

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O Lado A tá aqui.

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3 comentários sobre “Lado B

  1. “A consciência faz a cabeça do homem…
    Talvez melhorasse, talvez piorasse. A gente nunca vai saber, como nunca vai saber um monte de coisas. Como nunca vai saber se o amor é mesmo assim…”

    Foi isso que comentei lá no Lado A.
    Reli o texto e continuo concordando comigo. E o mesmo comentário acho que se encaixa aqui tbm. Até pq como a Diana, eu sinto um buraco e até um nó na garganta com esse Lado B.
    Sinto, no que pese a identificação com minha própria vida, um aperto gigante no peito que me impede de acreditar na tal experiência, eu acho. Penso que talvez ainda aja tempo pra gente bater mais a cabeça.

    Abraço.

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