O verbo

Amar é um exercício de observação. É preciso um olhar aguçado ao seu redor para descobrir em alguém as minúcias que te fascinam. É preciso também atentar meticulosamente quem é o alguém que melhor se molda àquilo que você almeja, com a ciência de que perfeição é exclusividade dos amores da ficção. Amar é então se desprender dos idealismos para que estes não pesem em você e tampouco sufoque o outro. No cerne, amar é permissão do toque, do sentimento, da invasão, da conexão, da reciprocidade. Amar é então é um exercício de libertação que te despe dos seus medos, dos seus tabus e dos seus escudos. Amar é inesperado, como um forasteiro misterioso que chega na sua cidadezinha interiorana provocando receios, contraditoriamente instigando a aproximação. Pois então, amar é ação porque é verbo. É real. E amar não é amor, porque amor é substantivo e pode sobreviver apenas na subjetividade das mentes fantasiosas. Amar é a objetividade do movimento dos ventos que arejam a casa, tranqüilizam a alma e inquietam o coração. Amar é cotidianidade, sem a chata cobrança da durabilidade do sentimento. Amar é plural e é também, acima de tudo, inesgotável em definições! Enfim, deixa ser o que for, deixa fluir… amar é isso tudo.

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5 comentários sobre “O verbo

  1. Definições gramaticais, reais, cotidianas, cinematográficas, não definir.
    Deixar fluir, não criar expectativas, mas esperar sem cobranças. Paradoxo, necessidade, bobagem, respirar.
    “no fim do dia me falta o ar”

    Gostei guri.

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