Alma Albina

lirio_da_paz

Estive divagando como forma de fuga de pensar no que incomoda, e fugir assim até que me rendem boas conclusões sobre mim mesmo, e autoconhecimento é algo essencial pra todo mundo que decide viver em consciência da vida. Conversando sobre vida e personagens, olhei com crueza para o modo como eu me mostro ao mundo ultimamente. São tantas ironias, deboches e verdades desprovidas de eufemismos que eu lanço mão cotidianamente. Há quem ache engraçado, outros julgam como inconveniência; eu concordo com ambas as visões. O que muita gente deve não saber é que tudo isso é uma forma de  proteção, um escudo translúcido e necessário, nem sempre tão eficiente quanto eu queria que fosse. Eu já estive tão perdidamente sozinho e confuso dentro de mim, travando batalhas homéricas enquanto flertava com a autodestruição. E tudo isso era tão insuspeitável, talvez ainda seja, é que não sou de estardalhaços, a calma é praticamente inabalável em meu semblante. Foram tantas as vezes que tive que me destruir e reconstruir até encontrar o ponto que possibilitasse a coexistência dos meus Eu’s entre eles próprios e também com o mundo, e aí que entra a ironia destilada e a verdade intravenosa que hoje são do meu feitio. Não convém no mundo a transparência da essência, pois esta se torna vulnerabilidade que acarreta sofrimentos, angústias, mágoas… e não quero ser mártir de coisa alguma, não tenho essa vocação. Falando assim parece puro exagero e/ou pessimismo, mas é tão real. Eu me sinto um estrangeiro que precisa adaptar-se, ter empenho em falar o mesmo idioma que os demais, e isso é questão de sobrevivência, porque ninguém vive isolado do Universo, hoje eu sei disso. E isso demanda um exercício muito sutil e arriscado de se moldar sem se descaracterizar, por isso que dentre as máscaras disponíveis a que mantém a genuinidade do ser mais preservada foi a escolhida. Guardo em mim minhas minúcias e singularidades como um humilde senhor que preserva no armário seu único traje aceitável em ocasiões especiais; há o temor de que traças corroam o tecido, por isso o traje sai do armário vezenquando para ser arejado, numa volta sem destino pelas ruas ou em compras no mercado do bairro. Mas na maior parte do tempo eu ando imperceptível em meio à multidão, me misturando e concomitantemente mantendo distâncias, porque gente assim tem o receio contraditório da proximidade. Quando a máscara pesa, eu a tiro; sem máscara eu me frustro.Uma, duas, três vezes… Será que é certo culpar a vida pelos espinhos que criamos em nós? Sabe de uma coisa? Eu não gosto de me lamentar, acho vergonhoso, mas estou cansado e completamente desarmado. Em horas assim eu percebo uma fé enorme vindo à tona me fazendo acreditar que não há de ser sempre assim, não há!

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5 comentários sobre “Alma Albina

  1. Uma vez, o Fernando Pessoa disse que somos estrangeiros, onde quer que estejamos. Já é tão difícil se encontrar sozinho. Agora se encontrar no meio desse mundo todo é foda mesmo. Mas né, “levo a vida devagar pra não faltar amor”.

    😉

    Um abraço

  2. Creio que seja um dos textos mais longos que você publicou. Um certo desabafo extenso de uma vida que se apresenta sem intervalos para respirar. Terminar seu discurso com a palavra fé, me surpreendeu. São ciclos que você mesmo descreve, construi e se isola.

  3. Somos singulares, Darlan; todos. Entretanto, existem os que preferem fazer parte de um conjunto, massa, ou seja lá o que for. Porque isso, o ‘dançar conforme a música’, é considerado mais fácil, não exige nenhum esforço sequer. Aquele que é diferente, o que escolhe andar com suas próprias pernas, não só é diferente, como também é estranho. E isso é bonito. Por mais difícil que seja, é o que realmente vale. 😉

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