Divagações I

Sobre o amor e os relacionamentos amorosos…

Nesses dias tenho pensado muito. E muitas coisas. Não que normalmente eu não pense muito, mas é que tem sido mais do que o comum. Dentre tantos pensamentos que até se embaralham, um tema recorrente é o amor. Por mais que eu me sinta maduro, com certa experiência até, eu sempre tento responder o que é o amor, para que ele serve, qual sua importância etc.

É difícil falar de amor, é difícil até saber o que realmente é amor. “Eu te amo” virou tão banal quanto “bom dia”, e essa frase é um clichê tal qual “eu te amo”. Creio eu que o que vemos muito hoje em dia são pessoas cheias de necessidades, que todos nós temos. Necessidade de ter uma companhia, necessidade te receber e dar carinho, ter alguém para ligar todo dia e perguntar se está tudo bem… e, talvez, guiadas por essa necessidade as pessoas acabam namorado, ficando juntas. Mas não por amor. Eu acho que não é amor, melhor dizendo. Recuso-me a acreditar que seja amor esse jogo de interesses, essa satisfação de necessidades, essa relação porque simplesmente é mais fácil estar junto.

É curioso como chega a ser vergonhoso, para alguns, dizerem que estão solteiros. Algo tão comum, natural e necessário. Sim, necessário. É necessário estar consigo mesmo, centrar-se, cuidar de você mesmo, traçar os próprios planos e coisas assim, pessoais e necessárias. Mas não, a maioria das pessoas prefere o relacionamento, que hoje em dia é um status social. E por repudiarem estar só, optam por viver na superficialidade da vida.

Na superfície os amores são mais fartos, os relacionamentos parecem perfeitos e a vida é tão simples de se viver. Ilusões. Tudo que são, ilusões. Tanta felicidade! Mas é felicidade mais frágil que cristal, é felicidade também superficial, daquelas que podem ser destruídas por qualquer pensamento audacioso que tente ser mais profundo que o “permitido” para se obter essa felicidade.

Isso! creio que cheguei no ponto que queria: a felicidade. Não é ela que todos buscam? Quantos a conhecem realmente? Não sei, mas também isso não vem ao caso, no momento o que abordo é: o que as pessoas fazem para obterem a almejada felicidade? Aí está o problema. As pessoas fazem de tudo por essa ilusão de “felicidade em plenitude” que nos foi impregnada pelas telenovelas e filmes. E em fazer de tudo inclui mudar, e mudar muito. Observo com certa “pena” pessoas mudarem completamente em nome do “amor”, por causa de um alguém.

Por causa de uma tentativa de felicidade, todos os dias pessoas se afastam dos amigos, deixam de fazer o que gostam, passam a freqüentar lugares porque é da vontade de outrem, abre-se mão disso, daquilo, de etc. As pessoas se anulam totalmente, perdem a essência, e em alguns casos até a dignidade, e tudo isso por conta de uma tentativa de felicidade, uma esperança que sempre parece ser a última e por isso merece sacrifícios inimagináveis.

Claro que não estou dizendo que todos relacionamentos são baseados tão e somente na necessidade de estar junto, no amor ilusório. Há os que tentam amar de verdade, e até acreditam que amam. Mas amam a superfície de outra pessoa, porque é muito difícil amar profundamente. Acredito que na maioria dos casos o amor é inversamente proporcional ao quanto conhecemos o outro. Àqueles que acreditam verdadeiramente amar: reparem se o objeto amado é um alguém ou é a imagem que se faz desse alguém. Porque é muito comum isso acontecer: ama-se a imagem que se cria, o modo como se vê, e não a pessoa verdadeiramente. E quando o encanto acaba e a imagem que se tem do outro se torna “real”, o amor também acaba, se desama quase que instantaneamente.

O amor é complicado. Pra mim ele, além de complicado, é raro. Talvez eu esteja errado em ver todas essas situações apenas como “ilusões”, mas é assim que eu vejo, por enquanto. Amanhã não sei mais. Escrevi um texto enorme e ainda não sei o que é amor exatamente. O que eu sei é que não quero estar junto simplesmente por estar. Eu desejo mais que uma superfície, desejo uma intensidade, e desejo ser eu mesmo para ter o que desejo. Óbvio que seria mais fácil e mais cômodo viver superficialmente com pessoas superficiais e trocando “eu te amo” com freqüência. Mas se é certo que cada um paga um preço por ser o que se é, creio que esse seja o preço que devo pagar: quase sempre me sentindo à margem (isso foi um eufemismo), acumulando buscas…

Enfim, já escrevi bobagens demais. O que importa é a felicidade, sendo ela verdade ou não. As pessoas estão desesperadas, cara! Todas elas temem a solidão, é o bicho-papão dos adultos! Corram todos e se juntem a alguém o mais rápido possível, não importa se falta afinidade ou se falta química, o importante é convencer a si mesmo e falar para todos que se “tem alguém”. Depois de já ter é só manter-se na superfície, policiando-se o tempo todo para que nenhum neurônio se atreva a indagações indecorosas como as que nortearam esse texto.

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14 comentários sobre “Divagações I

  1. “Por causa de uma tentativa de felicidade, todos os dias pessoas se afastam dos amigos, deixam de fazer o que gostam, passam a freqüentar lugares porque é da vontade de outrem, abre-se mão disso, daquilo, de etc. As pessoas se anulam totalmente, perdem a essência, e em alguns casos até a dignidade, e tudo isso por conta de uma tentativa de felicidade, uma esperança que sempre parece ser a última e por isso merece sacrifícios inimagináveis.”

    Passei por isso, uma vez….uma vez pra nunca mais…essa é a minha conclusão….
    Hoje eu tenho um alguém….um alguém que sei que terei pra minha vida toda…e amo esse alguém…amo com todas as forças das minhas entranhas e amerei para todo o sempre…
    Esse amor não pode, não deve, e não quero que acabe jamais…
    Hoje eu ME amo…

    Bjos

  2. O amor é complicado; mas acho que entre dois seres, além de respeito, confiança, parceria, tem que haver a cumplicidade.
    Prefiro somar à outra pessoa do que completar, sabe?
    Adorei seu texto, Darlan!
    Bjão e otima semana!

  3. Você foi assustadoramente dono do seu ponto de vista, defendendo sua tese. Seu texto foi muito instigante, tem passagens cruciais para se entender no meio dessa confusão de “procurar por amor” ou “não estar só”. O fantasma, o mal do ser adulto: a solidão.
    Verdadeiramente, uma palavrinha me chamou muito a atenção, que faz parte do seu desejo: intensidade.

    Show de texto.
    Abração.

  4. Cara!

    As vezes a intensidade dói, mas sempre é melhor.
    Pra mim amar verdadeiramente é ver o lado obscuro do outro, sofrer, mas entender. Não sei. Eu tenho tanta paciencia e entendo tanto que sou louca, você sabe.

    Buscar o intimo é dolorido, mas expor as verdades é tão necessário.

    Ontem eu fiquei totalmente istérica (?) assustei até, mas finalmente ele entendeu. Ufa!

    Sabe o que é bonito? O amor de almas.
    É saber rir do outro e com o outro mesmo nas situãções complicadas, mesmo quando os nervos estão a flor da pele.

    Só ama quem sente e compreende a dor.

    Saudades.

  5. Diana disse:

    Foi diferente te ver em tão longas linhas (o que não é comum). Mas, ainda sim continua com esse mesmo ar de menino arisco com medo de sentir medo do mundo. Vi seu rosto enquanto lia o texto ^^

  6. Felipe Luna disse:

    Só percebi que o texto era longo quando terminei e fui subindo. Acho que para fazer o leitor mergulhar no texto de tal forma, só se o conteúdo for realmente bom como o seu!

  7. Bom, adorei o jeito “novo” que você escreve as vezes. Sendo mais direto, e defendendo sem medo nenhum o que assusta muitas pessoas.
    Tá.. falar o quanto eu vi “eu mesmo” no seu texto vai parecer meio corriqueiro, mas fazer o que?
    Você se aprofundou bastante no assunto, e cara, diferente das outras vezes q me surpreende com suas palavras, dessa vez foi bom saber o que eu ja ia encontrar nelas.

    Abraço.

  8. su disse:

    O amor é complicado, raro e difícil de explicar. Fato.
    Não vou falar muito pq to apaixonada… o que vai sair da minha boca é só bobera hdaoidhaoidao
    Acho que ninguém encontra a felicidade completamente. Mas nossa vida é cheia de momentos feliz (tipo zuar com os amigos) o que podemos fazer é maximizar esses momentos. Tipo, juntando momentos felizes teremos mais momentos felizes… Entendeu minha matemática? xD
    Tbm acho amor uma ilusão… mas as vezes “eu te amo” sai tão naturamente, tão espontâneo.
    Eu não gosto de “eu te amo” prefiro “eu amo você” oidhdoihadia doidera

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