Clarividência

Eu te ligo qualquer dia pra gente contar histórias e rir de bobeiras. Passar horas ao telefone e nem perceber. E eu vou lembrar como é belo seu sorriso e com sua voz é doce, como você é divertida, mesmo quando irritada. E sei que por várias vezes vai vir uma vontade de dizer que te amo, mas vou hesitar e rir, porque eu sempre achei “eu te amo” forte demais para ser dito assim a esmo. Tenho certeza que começaremos a falar de música, fugindo do assunto “nós”. Vou perguntar se você ouviu o novo disco da Calcanhotto e comentaremos faixa por faixa até eu pedir pra você cantar a faixa 6, que sempre esqueço qual é. Você, envergonhada, negará o pedido, mas vai cantarolar uns versinhos. Vou rir, dizer que você até que é afinadinha. Daí eu vou falar que tenho que desligar, afinal de contas é sábado, e eu nunca fico em casa aos sábados. Não que eu queira realmente desligar, poderia ficar conversando até o amanhecer de domingo, mas é que preciso falar que vou sair com amigos, é uma maneira indireta de dizer “veja só como estou bem mesmo sem você, vou aproveitar o meu sábado”. Você dirá que “tudo bem”, que vai se arrumar pra ir ao cinema com as amigas; eu direi “tchau” e mandarei um beijo, você mandará outro e desligará sem mais rodeios. Ficarei meio que com raiva por você não ter dito “não desliga agora não, vamos conversar mais um pouco” ou qualquer coisa do gênero. Ainda segurando o telefone e ouvindo o “tum tum tum” irritante na linha, pensarei em rediscar seu número e perguntar se a saudade é recíproca. Mas não. Vou respirar fundo, esboçar um sorriso e dizer a mim mesmo: te amo, mas não te necessito.

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Ud date! Um dedo de prosa: Hoje 02/09, me desculpem, mas não vai ter post. Semanas um pouco agitadas e bloqueio criativo. rs Mas semana que vem tô de volta. ^^

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16 comentários sobre “Clarividência

  1. Pelo que parece, ela talvez precise menos dele do que ele dela. Mas bem que eu prefiro acreditar que quem mais disfarça é quem mais “sofre”.

    E me lembrei de Pato Fu:
    “Não vou morrer, nem sequer me abalar
    Nem sorrir, nem ao menos vou chorar
    Mas acredite, meu coração ainda sabe fingir”

  2. Que coisa linda….linda e triste…
    Será que as minhas conversas com meu marido tem sido assim? Fiquei aqui me perguntando.
    Ah, deixe me apresentar…muito prazer Roberta…Cheguei até você através do blog da Carlinha (acima)e amei seus textos…aparece por lá no meu cantinho…
    Bjos

  3. Ah… adorei o texto. É como se em uma conversa de bar ou afins, você estivesse me contando tudo isso. Sei lá, acho que seus textos fazem a nossa amizade mais próxima até porque embora todos digam que as diferenças fazem uma bela amizade, também dou muito valor às semelhanças. Adoro perceber os detalhes importantes e aparentemente pequenos que nós, humanos damos valor, as vezes. Bom, acho que exagerei no comentário…rs enfim.

    Abraços, e se cuida querido.

  4. Ihh, tem muitos ‘enfins’ rolando por aí… hehe

    Nunca soube realmente limitar amor e necessidade. Sempre acabo ficando perdido entre uma coisa e outra, mas creio que exista uma cumplicidade entre essas duas vontadezinhas que parecem apertar nossos peitos quando do outro lado da linha está a pessoa que realmente queriamos ali, no lugar do telefone.

    Já estou tão acostumado a conversar com você pela net, que acostumei com isso. Hehe.
    ;*

  5. Não posso deixar de dizer que esses quadradinhos em cada coment, me irrita profundamente, porque sao aleatórios e sem nenhum padrão, enfim, não sei mas me irritam. Putaria né, vir no blog dos outros reclamar do layout da página… AFF, AFFÃO pra mim!!!

  6. Victor disse:

    Cara**o Darlan! Que texto!
    Só você pra conseguir um texto assim! Aí, você tem se tornado minha leitura preferida! =D
    Pelo bem da humanidade, escreva um livro um dia. O mundo precisa conhecer seus escritos!
    Aqui já tem um comprador!
    Abraços, meu amigo.
    Se cuida.

  7. Que queriiiido!
    E eu me identifiquei taanto, essa agonia de ter que manter o orgulho e não dizer de uma vez, de declarar-se mesmo.
    E concordo com o Rodrigo, a última frase.. ai ai.

    E nem leia meu ultimo texto, eu tô mais ridícula a cada dia HAHHA
    e feliz aniversário mais uma vez ;***

  8. Eder disse:

    Sabe que no começo eu achava seus textos meio infantis, como se houvesse linhas tortas, frases desencontradas com o resto do texto, como um atacante que recebe a bola redondinha e manda pra fora. Sempre achava que passava perto. Confesso isso. E confesso também que hoje eu me pego vidrado em seus textos como se as linhas fossem explodir, como se alguma coisa realmente importante fosse me arrebatar. E isso vem acontecendo e tive que te contar isso.
    Abração.

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