A Dor Que Deveras Sente

Um texto escrito a quatro mãos. Fiz com uma guria que adoro, a Diana.

Minha poesia só existe porque sou caos. E o que lêem e julgam como belo é o que tenho de mais execrável. É o que não cabe mais em mim: regurgito em palavras…

Leigos são os que acreditam que carrego um radiante dom em forma de palavras e rimas, mas essas frases tornam-se cruz acinzentada nos dias que vejo meus olhos vermelhos. Brinco com a caneta sem tinta e desenho ao pé da cama vazia de lençóis perfumados as flores que não murcham.

Desenho todas minhas ilusões, toda beleza que não encontro fora de mim. Desenho poesia escarrada enquanto escorrem lágrimas de sangue e suor; suor do cansaço da artificialidade das flores, das pessoas, do mundo…

Fecho os olhos, dentro de mim mesmo procuro abrigo pra me acalmar. Construirei castelos de ilusões e ficarei no alto da torre, só para suportar mais uma noite de frio e de mórbida poesia. Sou contradição assim: de jardins na alma e lama fétida no âmago. Porém, abrigar-me distante de comuns, que cansam sua voz com sons animalescos, faz de mim um prisioneiro de jaula aberta.

Não quero a solidão imposta. Desejo a solidão que possuo quando quero. Sou o pássaro do canto surdo, que olha ao redor e vê a grama secar em dias friamente secos. Alço vôo de curta distância em direção ao amarelado da praça tediosa, e lá consigo tocar a sensação de alegria infantil ao correr em busca da folha que cai serenamente. Serena. E morta.

A ponta quase inexistente do lápis me diz que por hoje já é hora de parar de desenhar cenários de vida imaginada. Sinto como se a cada terminar de lápis enterro um fragmento espesso de bolor, e a cada ponta que faço engravido de mais um dia que matarei na próxima página.

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7 comentários sobre “A Dor Que Deveras Sente

  1. Por problemas técnicos, demorei a mostrar as outras duas mãos que talharam esse texto. Bem, o Darlan (mundialmente conhecido como Dan) é uma amizade de outros carnavais e longas histórias. ótimo texto, com intenso escritor como parceiro.
    obs.: Eu escrevi um texto com o Dan e vc não Luiza ;P (colocando o lado infantil pra fora)

  2. acabei de passar na Didi… haha e li o post lá. deixa falar que em off o chamo de Darlingzeenho, do you still remember? pq a diana falou que vc é mundialmente conhecido como dan, e eu discordo. hahaha e eu escrevi um texto com vc mto antes da didi. hahaha mas é como falei lá no blog da miniatura [ bem mini mesmo ] de clarice, esse texto me lembrou sobre os objetivos de escrever e sobre tudo que rola internamente e externamente para que ela aconteça. lindo demais, sensibilidade na ponta dos dedos, escorrendo poesia.

  3. Mesmo que sensações parecidas se formem quando lemos algo, para cada pessoa, um texto como esse atinge um lugar diferente, em um lugar especial. E eu uso o que me atinge.

    A mesma sensação que tive quando li tudo, foi a sensação que tive ao ler apenas isso: “Minha poesia só existe porque sou caos.” Pra mim, isso basta.

    Abraços…

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