O tempo, o ninho e o vôo

 

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Leia ao som de Canção Para Um Grande Amor, Isabella Taviani

O tempo. Ah, como tem passado o tempo. Era uma guria novinha, presa e dependente de seu ninho, é ainda uma guria novinha, porém não mais presa no seu ninho com medo de voar. Inexperiente ainda nessa tarefa imprescindível na vida: voar.

Eu vi a guria crescer cada dia mais, adquirir asas, ficar tão exuberante como um pássaro ornamental raro: reluzente, esplendido, augusto! E as penas adquiridas, antes que a deixasse como o pássaro raro, a deixaram pesada demais para voar. A menina andou por becos escuros, com jardins de margaridas de pano, grama sintética, e o que ela pensava ser sol eram apenas alguns raios de luz cortando as nuvens negras do céu nublado.

O tempo passou, o tempo sempre passa. Aos poucos as penas foram exalando luz, o pássaro raro e belo chamou a atenção então. O pássaro sentiu suas asas firmes o bastante para alçar um vôo, e sendo assim, voou. E tem voado. É um vôo bonito no céu azul onde o sol realmente brilha e aquece. É um vôo pelo desconhecido, um vôo para a vida, para a felicidade. Pássaros sempre migram, é da natureza dos pássaros, eles sempre migram. E é com felicidade e com um certo incômodo que percebo que estás emigrando de mim.

Vejo-te indo, indo longe… voando para o norte, talvez. Percebo que estás cada vez mais distante, estamos mais distante. Nosso passado em comum talvez seja nossas últimas semelhanças. Eu também estou voando, talvez não tão alto, mas voando. Estamos em direções opostas, percebo. Quem seremos nós amanhã? Será que um dia nos reconheceremos? Será que é verdade que os pássaros sempre retornam ao local de sua ninhada? Nenhuma dessas respostas eu possuo, e também não me importo muito com essas respostas. Vamos aproveitar nosso vôo, experimentar cada segundo de como é sentir o vento na cara, a liberdade do vôo, a felicidade em voar.

Que voemos longe, longe, longe. Que voemos alto, alto, alto. Só não quero perder você de dentro de mim. Mesmo que eu voe para o Sul e você para o Norte, mesmo que nossos caminhos sejam totalmente opostos, que nos tornemos diferentes, não quero que sejamos nunca estranhos um ao outro. Vou guardar comigo a intimidade que me permite fazer uma brincadeira e te arrancar um riso. Que seja pra sempre, que seja eterno. Por tudo aquilo que um dia fomos sem nunca ter sido. Pelo mundo, porque nosso lirismo é raro.

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Hoje, dia 25/03 não vai ter post.

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7 comentários sobre “O tempo, o ninho e o vôo

  1. Eu entendi realmente 99%
    hahaha

    Mas acho que amizade é isso, crescer sim, juntos mesmo que longe, não é deixar morrer.

    ‘O amor só é amor se for uma forma doce de loucura, se for irracional e incondicional, se for eterno.’

    😉

  2. susu disse:

    ahhhhh! eu acho que seu wordpress não gosta de mim i.i
    deu erro de novo.
    Relembrando: Aii que texto lindo!
    Os pássaros sempre lembram de quem fez bem a eles, tenho certeza.
    Bjos a-m-i-k-o (é assim mesmo?)

  3. susu (de novo) disse:

    Cara, eu to boa mesmo… um texto em fevereiro e dois em março xD o que acha disso?
    Seu texto (como eu já disse antes) tá lindo. E eu gostei especialmente desse porque lembra a mim.
    Acho que terá um escritor entre nós. O que acha?
    Bjos amigo

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