Ser comum

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Tudo nele era monotemático, monoteísta, monocromático… Era uma pessoa que não notava, respirava sem porquê. Seu nome ele nem lembrava. Um dia ele morreu, sozinho, óbvio. E no milésimo de segundo que ele possuía ainda sanidade, antes da derradeira insuficiência respiratória, ele pensou tanto, sentiu tanto e chorou tanto, como nunca havia feito em toda sua vida: todas as possibilidades de amor que um dia bateram à sua porta, todas as palavras de afeto que ele se negou a dizer, todas as lágrimas que se impediu de chorar, todos os medos que ele jurou não sentir, todas as chuvas que ele não se deixou tomar, todas as músicas nunca escutadas, todas as sutilezas não reparadas… todo um mundo que poderia ser seu. Morreu assim, pensando em tudo que poderia ter sido, mas não foi.

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6 comentários sobre “Ser comum

  1. Só uma coisa me entristece
    O beijo de amor que não roubei
    A jura secreta que não fiz
    A briga de amor que não causei
    Nada do que posso me alucina
    Tanto quanto o que não fiz
    Nada que eu quero me suprime
    De que por não saber ‘Inda não quis

    Só uma palavra me devora
    Aquela que meu coração não diz
    Sol que me cega
    O que me faz infeliz
    É o brilho do olhar
    Que não sofri.

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