Desventuras de menina I

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Vejam só aquela guria, vejam como são fracos seus braços e turvos seus olhos.

Reparem, ela tem de se segurar para não sair de casa sem os pés no chão. Ela se segura nos muros pra não se perder na imensidão do céu.

Ela anda pela rua, mas pára a cada esquina para apreciar as vitrines. Ela pára frente a uma TV, ela se encanta com o casal apaixonado do filme, idealiza seu príncipe encantado, abre largo sorriso e volta pra casa feliz. Iludida, claro, como sempre.

No caminho de volta ela parece alienada, fora de freqüência, em outra estação… mas não, ela repara cada detalhe, ela colhe pedregulhos como se fossem flores exuberantes. Ela vê pombos, mas enxerga pássaros ornamentais lindíssimos com o canto mais lindo do mundo… ah, como o mundo parece belo: cantiga de roda, carrossel iluminado, pessoas felizes, algodão-doce, céu límpido e almas reluzentes. Parque de diversão!

A menina chega em casa, vai para o seu quarto que é escuro, cheira mofo e abriga solidão. Ela chora e nem sabe o porquê.

Ah menina, será que percebeste que tudo é ilusão? Não… ainda não, vejo que ainda se agarra ao seu urso de pelúcia como se ele fosse te aquecer com afeto.

Ela dorme esboçando um sorriso, mas com os olhos ainda úmidos pelas lágrimas. Ela nem percebe que está caindo em desgraça…

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5 comentários sobre “Desventuras de menina I

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