Meios

Hoje o dia envelheceu antes que a Lua aparecesse. E talvez por isso a Lua nem tenha se dado o trabalho de surgir no céu para dar algum sentido no vazio de unhas cravadas pesando em minhas costas um tanto encurvadas. A mansidão do dia instalou um mal-estar tão suave que nem machuca, mas faz dos meus pés puro chumbo. Há um cansaço que não é derradeiro e não vem do verbo, vem da inexistência, de tudo que cai antes de se edificar, como o dia que anoitece antes do sol sair. São as faltas que mais me esculpem.

4 comments to Meios

  1. Marcelo Rezende disse:

    Por que a gente deixa que pese? Isso que me intriga tanto…

  2. Diana disse:

    Tudo que pesa cria semente e esses pequenos caroços que vão moldando nossos próximos passos ou ao menos a vontade de dá-los.

  3. Francisco disse:

    E depois da consciência o que fazemos?

  4. Agda disse:

    Acho que Pessoa disse assim uma vez:
    “O peso de sentir!
    o peso de ter que sentir!”

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